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Circuitos para os Detetores da Radiação para a Medicina


Modos de operação em fluoroscopia

De maneira geral, um equipamento intervencionista é capaz de trabalhar com faixas de tensões entre 50 e 125 kVp, controle automático de exposição e possibilidade de congelamento da última imagem adquirida fluoroscopicamente (LIH).

O circuito de LIH consiste em um conversor analógico digital que converte o sinal de vídeo (fluoro) em uma imagem digital.

Quando o pedal utilizado para emitir radiação por fluoroscopia é liberado, é gerado um sinal que faz com que a última imagem gerada pelos raios X seja capturada.

Esta imagem é apresentada constantemente no monitor de vídeo até que o pedal fluoroscópico seja pressionado novamente. O congelamento da última imagem é um recurso útil, porque reduz a dose no paciente. É especialmente útil em instituições de treinamento de profissionais onde os residentes estão desenvolvendo suas habilidades com a fluoroscopia. Por outro lado, o congelamento da imagem permite ao operador examinar a imagem o tempo necessário sem necessidade de radiação adicional18.

Normalmente, os equipamentos intervencionistas dispõem de pelo menos três modos de magnificação (p.e. 13, 17 e 23 cm); dois modos de imagem: fluoro (imagem em tempo real) e aquisição digital (cine), com diferentes freqüências de pulsos.

A fluoroscopia contínua é a forma básica da fluoroscopia, que consiste na emissão contínua do feixe de raios X usando correntes entre 0,5 mA e 4 mA (dependendo da espessura do paciente).

A câmara de vídeo apresenta a imagem a uma frequência de 30 imagens por segundo, de modo que cada imagem fluoroscópica requer 33 ms (1/30s).

Qualquer movimento que aconteça dentro dos 33 ms de aquisição, gerará um “borrão” na imagem; no entanto, isto é razoável para a maioria dos procedimentos. Na fluoroscopia pulsada, o gerador produz uma série de curtos pulsos de raios X. Neste modo, na maioria dos equipamentos, tanto a freqüência (imagens/s), como a largura do pulso (tempo em ms) e a sua altura (mA) podem ser modificados.

Como exercício, podemos comparar a fluoroscopia contínua de 33 ms de largura de pulso e 2 mA de altura de pulso com uma fluoroscopia pulsada de 30 imagens/s, porém com pulsos de 10 ms de largura e 6,6 mA. A mesma taxa de exposição estaria sendo proporcionada ao paciente (0,066 mAs por imagem), mas na fluoroscopia pulsada o tempo de exposição seria menor (10 ms invés de 33ms), e isto reduziria o “borrão” na imagem proveniente do movimento do paciente.

Assim, procedimentos fluoroscópicos com movimentos rápidos de objetos (p.e. posicionamento de cateteres em vasos altamente pulsantes), a fluoroscopia pulsada oferece melhor qualidade da imagem com a mesma taxa de dose.

Durante muitos procedimentos fluoroscópicos, uma frequencia de 30 imagens/s não é necessária para realizar o trabalho. Por exemplo, uma angiografia de carótida, o processo de levar o cateter desde a artéria femoral até o arco aórtico não requer alta resolução temporal e talvez uma frequência de 7,5 imagens/s seria suficiente. Isto reduziria a dose durante esta parte do estudo a 25% (7,5/30). A fluoroscopia pulsada com taxas variáveis (normalmente 7,5, 15 e 30 imagens/s) permite ao operador reduzir a resolução temporal quando esta não é necessária, com a consequente redução da dose 18.

Praticamente todos os equipamentos fluoroscópicos oferecem a possibilidade de diferentes modos de taxa, denominados “low”, “normal” e “high” ou “baixa taxa” e “alta taxa”, ou “fluoro” e “fluoro+”. No modo de alta taxa, deve-se acionar um alarme sonoro durante a emissão da radiação. A menos que a alta taxa seja imprescindível (às vezes no caso de pacientes obesos), recomenda-se evitar ou minimizar seu uso, devido às altas doses ministradas aos pacientes e profissionais.

Os sistemas fluoroscópicos apresentam excelente resolução temporal; no entanto, as imagens fluoroscópicas podem apresentar ruído. Para diminuir o ruído, o equipamento tem a opção de fazer a média de uma série de imagens (“frame averaging”).

Este procedimento é realizado pelo equipamento mediante a digitalização das imagens fluoroscópicas, obtenção em tempo real da média destas imagens na memória do computador e imediata apresentação no monitor. Este procedimento de “frame averaging” também possibilita a redução da dose no paciente.

Um modo útil de operação utilizado em certos procedimentos intervencionistas é o chamado “Road map”. Resumidamente, o procedimento de “road map” consiste em gravar uma imagem durante a injeção de contraste (ou imagem subtraída) que será posteriormente apresentada no monitor sobreposta à imagem fluoroscópica que está sendo obtida em tempo real. Assim, o operador terá um “mapa” vascular sobre a imagem fluoroscópica e poderá angular o cateter de acordo com anatomia vascular do paciente. O “road map” é útil para introduzir cateteres através de vasos tortuosos18.

Sistemas com detecção digital

A gravação de imagens observadas no monitor em tempo real pode ser feita convertendo o sinal de vídeo analógico produzido pela câmara de vídeo e armazenando-o na forma de dados digitalizados. A aquisição digital de dados permite a aplicação de diversas técnicas de processamento de imagem, como congelamento da última imagem, processamento da escala de cinzas, média temporal de imagens, intensificação de bordas, subtração digital de imagens em tempo real, assim como a realização de diversas medições de tamanhos de vasos sanguíneos, volumes etc. Alternativamente, a digitalização pode ser realizada com dispositivos denominados dispositivos de acoplamento de carga (CCD), ou por captura direta dos raios X com um detector do tipo flat panel [15]. Os CCD foram introduzidos em meados de 1970, como microcircuitos de silício capazes de gravar imagens de luz visível [20].

O detector digital flat panel está baseado em arranjos de fotodiodos de silício amorfo e finos transistores (TFT), em combinação com cintiladores de CsI(Tl). Esta combinação é devido a que os transistores são mais sensíveis à luz do que aos raios X. Assim, o cintilador é usado para converter a energia do feixe de raios X incidente em luz, que irá atingir o detector TFT. Em fluoroscopia, devido a que não é requerido um ambiente de vácuo (porque não há ótica eletrônica associada), a cobertura do flat pannel pode ser da ordem de 1 mm de fibra de carbono, que traz uma melhoria na eficiência quântica de detecção em comparação com a eficiência dos intensificadores de imagem.

Em salas de intervencionismo, a transição de intensificadores de imagem para flat panel é facilitada pelas vantagens que oferecem, tais como imagens sem distorção, excelente contraste, grande faixa dinâmica e alta sensibilidade aos raios X [15,21].

Sistema ótico acoplado

A imagem de saída de um intensificador de imagem é pequena.

Consequentemente, uma câmara de vídeo é montada na saída do intensificador de imagem e é usada pra transmitir a imagem de saída para o monitor de TV de modo a facilitar a visibilidade do operador. Outros sistemas de registro de imagem podem também ser conectados na saída do intensificador, que são acoplados mediante um distribuidor ótico.

Este distribuidor consiste de um conjunto de lentes e prismas, projetados para minimizar a distorção e outras aberrações ópticas. A luz emitida pelo fósforo de saída é coletada, convertida em um feixe paralelo e transmitida para o sistema de lentes da câmara de vídeo. Alguns sistemas usam fibras óticas para realizar o acoplamento. As lentes usadas nos sistemas fluoroscópicos são idênticas às lentes de alta qualidade usadas em fotografia. As lentes focalizam a luz que chega sobre o plano focal da câmara.

O arranjo ótico inclui um diafragma de abertura variável, basicamente, um pequeno buraco entre as lentes individuais no arranjo de lentes. Ajustando o tamanho deste buraco, é possível variar a quantidade de luz que atravessa o sistema de lentes 18.

O ajuste deste diafragma muda o ganho efetivo dos componentes óticos da cadeia de imagem e tem um importante efeito no desempenho do sistema fluoroscópico. Diminuindo este ganho, uma taxa maior de exposição é aplicada, resultando em menor ruído da imagem.

Aumentando o ganho, reduz-se a taxa de exposição e diminuí-se a dose, porém com uma menor qualidade da imagem.

Sistema de vídeo

A função básica da câmara de vídeo é a de produzir um sinal eletrônico proporcional à quantidade de luz enviada pelo intensificador de imagem. As câmaras fotocondutoras consistem em uma camada fotocondutora (alvo), dentro de um tubo de vidro ao vácuo.

A luz proveniente do intensificador de imagem, que incide no alvo, produz uma mudança na condutividade desta camada. Esta mudança é detectada por um feixe de elétrons para gerar uma variação em um sinal de corrente (mA), que é amplificada, conduzida para um circuito de sincronização e processamento do sinal e apresentada como um sinal de vídeo.

 

 

As câmaras de material semicondutor são constituídas por chips semicondutores sensíveis à luz (charged coupled devices, CCD). O chip contém vários milhares de sensores eletrônicos que reagem à luz, gerando um sinal que varia em função da quantidade de luz que cada um recebe.

O sinal gerado pela câmara de vídeo é um sinal de tensão que varia em tempo e que é enviado até o monitor por meio de um processo de varredura que pode ser de 525 ou de 1.023 linhas.

Nos sistemas flat panel não há câmara de vídeo, visto que a imagem é adquirida diretamente através deste dispositivo2.

Magnificação do intensificador de imagem

Os intensificadores de imagem possuem diferentes tamanhos, geralmente campos de visão de 23 cm, 17 cm e 13 cm. Estes números se referem ao diâmetro do elemento fluorescente de entrada do tubo intensificador de imagem. Adicionalmente, os intensificadores têm vários modos de magnificação. A magnificação se produz quando se muda o potencial aplicado às lentes eletrostáticas dentro do intensificador, o que faz com que o ponto focal dos elétrons mude de posição18; na prática, isto significa passar de 23cm para 17cm, por exemplo.

Na medida em que o fator de magnificação aumenta, uma menor área da entrada do intensificador pode ser visibilizada.

Os fotoelétrons da parte central de 17 cm de diâmetro incidem sobre o elemento fluorescente de saída. A consequência desta mudança de ponto focal é a redução do campo e o aumento da imagem.

A utilização de uma área menor em um tubo intensificador de imagem com a magnificação da imagem sempre oferece lugar a uma ampliação da imagem, com um fator de aumento diretamente relacionado com o quociente do diâmetro do tubo. Um tubo 23/17/13 no modo de magnificação 17 cm produzirá uma imagem 1,4 vezes maior que as obtidas trabalhando com a magnificação de 23 cm19.

Para se manter o nível de contraste, a corrente é aumentada automaticamente, o que incrementa a dose recebida pelo paciente.

O aumento da dose que o paciente recebe é aproximadamente igual à relação entre a área do elemento fluorescente de entrada utilizado ou 1,8 vezes (232/172) a dose obtida quando se utiliza o equipamento sem magnificação 19. Este aumento da dose acarreta a produção de uma imagem de melhor qualidade.

A dose aumenta por que são utilizados mais fótons por unidade de área para formar a imagem.

O resultado é uma redução do ruído e um aumento do contraste16.

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