Acidente nuclear de Chernobyl - Parte7

Político, econômico e social

Prédios abandonados em Chernobil.
Dmitry Medvedev e Viktor Yanukovych colocam coroas de flores em um memorial às vítimas do desastre.
É difícil estabelecer o custo econômico total do desastre. Segundo Mikhail Gorbachev, a União Soviética gastou 18 bilhões de rublos soviéticos (o equivalente a 18 bilhões de dólares na época, ou 41,1 bilhões de dólares em valores atuais) no processo de confinamento e descontaminação, o que praticamente faliu o país.[17] Em 2005, o custo total em 30 anos somente para a Bielorrússia foi estimado em 235 bilhões de dólares, ou cerca de 301 bilhões em dólares de hoje, dadas as taxas de inflação.[146]
Os custos contínuos são bem conhecidos; em seu relatório de 2003-2005, o Fórum de Chernobil afirmou que entre 5% e 7% dos gastos do governo na Ucrânia ainda estão relacionados a Chernobil, enquanto na Bielorrússia estima-se que mais de 13 bilhões foram gastos entre 1991 e 2003, com 22% o orçamento nacional direcionado aos efeitos do desastre em 1991, caindo para 6% em 2002.[146] Em 2018, a Ucrânia gastou 5-7% do seu orçamento nacional em atividades de recuperação relacionadas ao acidente nuclear.[158] A perda econômica global é estimada em 235 bilhões de dólares na Bielorrússia.[158] Grande parte do custo atual está relacionado ao pagamento de benefícios sociais relacionados a Chernobil para cerca de 7 milhões de pessoas nos três países.[146]
Um impacto econômico significativo na época foi a remoção de 784 320 hectares de terras agrícolas e 694 200 hectares de florestas. Embora grande parte desta tenha sido devolvida ao uso, os custos de produção agrícola aumentaram devido à necessidade de técnicas especiais de cultivo, fertilizantes e aditivos.[146]
Politicamente, o acidente deu grande significado à nova política soviética de glasnost[159][160] e ajudou a forjar relações soviético-americanas mais próximas no final da Guerra Fria, através da cooperação biocientífica.[119]:44–48 O desastre também se tornou um fator chave na eventual dissolução da União Soviética em 1991 e uma grande influência na formação da nova Europa Oriental.[119]:20–21
Tanto a Ucrânia quanto a Bielorrússia, em seus primeiros meses de independência, reduziram os limiares legais de radiação dos limiares anteriores elevados pela União Soviética (de 35 rems por vida ao longo da URSS para 7 rems por vida na Ucrânia e 0,1 rems por ano na Bielorrússia).[161]:46–47, 119–124

Consequências

Desativação da usina

Após o acidente, surgiram dúvidas sobre o futuro da usina e seu eventual destino. Todo o trabalho nos reatores inacabados 5 e 6 foi interrompido três anos depois. No entanto, o problema na usina de Chernobil não terminou com o desastre no reator 4. O reator danificado foi vedado e 200 metros cúbicos de concreto foram colocados entre o local do desastre e nos prédios operacionais. O trabalho foi administrado por Grigoriy Mihaylovich Naginskiy, o engenheiro-chefe adjunto da Diretoria de Instalação e Construção. O governo ucraniano continuou a deixar os três reatores restantes operar por causa de uma escassez de energia no país.[162]
Em outubro de 1991, no entanto, um incêndio ocorreu no prédio da turbina do reator 2;[162] as autoridades posteriormente declararam que o reator estava danificado e ele foi desligado. O reator 1 foi desativado em novembro de 1996 como parte de um acordo entre o governo ucraniano e organizações internacionais, como a AIEA, para encerrar as operações na usina. Em 15 de dezembro de 2000, o então presidente Leonid Kuchma desligou pessoalmente o reator 3 em uma cerimônia oficial, fechando todo o local.[163]

Confinamento

Imagem aérea do antigo Sarcófago da Usina Nuclear de Chernobil.
Nova estrutura criada para confinar o reator 4 e inaugurada em 2016.
Logo após o acidente, o prédio do reator foi rapidamente envolto por um gigantesco sarcófago de concreto em uma notável façanha de construção sob severas condições. Operadores de guindaste trabalhavam cegamente de dentro de cabines revestidas de chumbo, recebendo instruções de observadores de rádio distantes, enquanto pedaços gigantescos de concreto eram movidos para o local em veículos feitos sob medida. O propósito do sarcófago era impedir qualquer nova liberação de partículas radioativas na atmosfera, mitigar os danos caso o núcleo fosse crítico e explodisse, além de fornecer segurança para as operações continuadas dos reatores adjacentes 1, 2 e 3.[19]
O sarcófago de concreto nunca teve a intenção de durar muito tempo, com uma duração de apenas 30 anos. Em 12 de fevereiro de 2013, uma seção de 600 m² do telhado do prédio da turbina colapsou, adjacente ao sarcófago, causando uma nova liberação de radioatividade e a evacuação temporária da área. Inicialmente, assumiu-se que o telhado desmoronou devido ao peso da neve, mas a quantidade de neve não foi excepcional e o relatório de um painel ucraniano de averiguação concluiu que o colapso foi o resultado de trabalhos de reparação desleixados e do envelhecimento da estrutura. Especialistas advertiram que o próprio sarcófago estava à beira do colapso.[164][165]
Em 1997, o Fundo Internacional de Proteção de Chernobil foi criado para projetar e construir uma cobertura mais permanente para o sarcófago instável e de curta duração. Recebeu mais de 810 milhões de euros e foi gerido pelo Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD). O novo abrigo teve a sua construção iniciada em 2010. Ele é composto por um arco de metal de 105 metros de altura e 257 metros de comprimento que foi construído em trilhos adjacentes ao prédio do reator 4, para que pudesse ser deslocado por cima do sarcófago existente. O novo abrigo foi concluído em 2016 e deslizou para o topo do sarcófago em 29 de novembro.[166] O enorme arco de aço foi colocado no lugar ao longo de várias semanas.[167]

Zona de exclusão

Ver artigo principal: Zona de exclusão de Chernobil
Entrada da zona de exclusão.
Uma área que originalmente se estende por 30 quilômetros em todas as direções da usina é oficialmente chamada de "zona de exclusão". É em grande parte desabitada, com exceção de cerca de 300 moradores que se recusaram a sair. A área foi amplamente revertida para a floresta e foi retomada pela vida selvagem por causa da falta de competição com seres humanos por espaço e recursos. Mesmo hoje, os níveis de radiação são tão altos que os trabalhadores responsáveis ​​pela reconstrução do sarcófago só puderam trabalhar cinco horas por dia durante um mês antes de fazer 15 dias de descanso. Autoridades ucranianas estimaram que a área não voltaria a ser segura para a vida humana por mais 20 mil anos.[82] No entanto, em 2016, 187 ucranianos locais retornaram e passaram a viver permanentemente na zona.[168]
Em 2011, a Ucrânia abriu a zona selada em torno do reator de Chernobyl para turistas que desejam aprender mais sobre a tragédia que ocorreu em 1986.[169][170][171] Sergii Mirnyi, um oficial de reconhecimento de radiação no momento do acidente, e agora um acadêmico na Universidade Nacional da Academia Kyiv-Mohyla em Kiev, na Ucrânia, escreveu sobre os efeitos psicológicos e físicos em sobreviventes e visitantes e trabalhou como consultor para grupos de turismo de Chernobil.[171][172]

Julgamento dos responsáveis

Entre 7 e 30 de julho de 1987, um julgamento numa corte improvisada foi feito na Casa da Cultura de Chernobil, na Ucrânia Soviética.[173] Cinco trabalhadores da usina (o vice engenheiro chefe Anatoly Dyatlov, o diretor da usina Viktor P. Bryukhanov, o engenheiro chefe Nikolai M. Fomin, o diretor de turno do Reator 4 Boris V. Rogozhin, e o chefe do Reator 4 Aleksandr P. Kovalenko) e o Gosatomenergonadzor (Comitê Estadual de Supervisão da Conduta Segura do Trabalho em Energia Atômica Soviético) inspetor Yuri A. Laushkin foram sentenciados a 10, 10, 10, 5, 3 e 2 anos de serviços forçados, respectivamente, em campos de trabalho como consequência das investigações do desastre.[174]
Anatoly Dyatlov acabou virando uma das faces do desastre, já que foi sob sua supervisão que o teste de segurança fracassou, levando ao acidente. Ele foi condenado por "má gestão criminosa de empreendimentos potencialmente explosivos" e sentenciado a dez anos de prisão — mas ele serviu apenas três.[175] Dyatlov, contudo, negou a responsabilidade pelo acidente. Ele se dizia assombrado pelo que aconteceu e botou a culpa do ocorrido em falhas mecânicas e de design dos reatores RBMK e não em falha humana.[176] Para especialistas, a causa do desastre em Chernobil foi uma combinação dos dois, tanto falha mecânica quanto humana, mas o teste supervisionado por Dyatlov foi considerado "incompetente" e ele próprio negligente diante do ocorrido.[177]

Preocupação com os incêndios florestais

Durante as estações secas, uma preocupação perene e que as florestas que foram contaminadas por material radioativo peguem fogo. As condições secas e o acúmulo de detritos tornam as florestas um terreno fértil para os incêndios florestais.[178] Dependendo das condições atmosféricas predominantes, os incêndios poderiam espalhar o material radioativo mais para fora da zona de exclusão através da fumaça.[179][180]

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